Armindo Abreu mostrou-se orgulhoso pelas obras de restauro

A Igreja de S. Gonçalo oferece, agora, mais um motivo para ser visitada. O seu órgão de tubos, construído no século XVIII, voltou a tocar, depois de recuperado, numa intervenção que demorou dois anos a ficar concluída e que custou 330 mil euros, 125 mil dos quais constituíram comparticipação do Município de Amarante.
À inauguração das obras de restauro disseram sim, na noite do passado dia 23 de Julho, várias centenas de pessoas que participaram numa cerimónia presidida pelo Bispo Auxiliar do Porto, D. António Taipa, que procedeu à bênção do instrumento. O evento incluiu um recital de Órgão, a cargo da organista Monika Henking, com acompanhamento do Grupo Coral de São Gonçalo de Amarante.
Visivelmente feliz pelo destino encontrado para o órgão, o Presidente da Câmara Municipal de Amarante, Armindo Abreu, disse da sua satisfação pelo evento: “Constitui um momento de rara alegria para mim e para aqueles que se entusiasmaram consequentemente com a recuperação do Órgão de Tubos de S. Gonçalo”, acrescentando: “Não foi tanto pelo gosto pessoal de ouvir o velho órgão de S. Gonçalo tocar, mas porque entendi que a sua recuperação constituiria um motivo de orgulho para os amarantinos e mais um elemento importante de dinamização do turismo cultural e religioso da nossa cidade que decidi incluir a sua recuperação no Pacto de Desenvolvimento Territorial elaborado pela Agência de Desenvolvimento Regional do Entre-Douro e Tâmega – a ser financiado pelo POC, do III Quadro Comunitário de Apoio e pelo Município de Amarante, com a concordância, evidentemente, da Câmara e da Assembleia Municipais”.
Do seu entusiasmo, disse Armindo Abreu, comungaram o Reverendo Padre Amaro Gonçalo e o seu sucessor, Padre José Manuel, de quem disse estar a fazer “um bom trabalho na recuperação e salvaguarda do nosso património religioso. A sua vontade, reconheceu, é enorme de tudo fazer em curto espaço de tempo, mas a tarefa é imensa e reclama recursos técnicos e sobretudo financeiros muito significativos".
Para Armindo Abreu, “o restauro do Órgão de Tubos da Igreja de S. Gonçalo é um passo significativo mas, ainda assim, um pequeno passo na recuperação do património religioso de Amarante”.
“Apesar das dificuldades financeiras, disse, a autarquia continua atenta a esta questão mas todos teremos de compreender que não pode investir constantemente na recuperação do património histórico nacional ou privado em prejuízo das acções que lhe são próprias, tendo em atenção o quadro legal das suas atribuições e competências. De qualquer modo, o Município já se comprometeu com a “Rota do Românico” com a recuperação do pórtico desta Igreja e com o projecto de recuperação da Igreja de S. Domingos”, referiu.
Ao finalizar a sua intervenção Armindo Abreu deixou uma certeza: “hoje o caminho fica aberto para o percorrermos com rigor, em homenagem à nobreza do instrumento e à elevação do espírito”.
Mónica Henking maravilhou público
O Concerto que assinalou a recuperação do órgão de tubos da Igreja de S. Gonçalo teve como instrumentista Monika Henking, artista que cresceu numa família de músicos em Winterthur/Suiça. Estudou piano, órgão, oboé e direcção de coro no conservatório da mesma cidade, tendo depois prosseguido os estudos de órgão com o Professor Anton Heiler, na Escola Superior de Música de Viena.
Reside em Thalwil/Zurique como organista, onde recebeu em 1997 o prémio de cultura para as suas actividades nesta cidade. É detentora de vários prémios em concursos internacionais de órgão.
Até 2009 foi professora de órgão na Escola Superior de Música de Luzern e organista do Collegium Musicum da Igreja do Jesuitas de Luzern. Como concertista viajou por muitos países europeus com particular interesse em órgãos históricos. Realizou vários concertos de órgão em Portugal.
Variadas gravações em disco mostram o seu trabalho de organista e dirigente de coro. Para despertar o interesse para a música de órgão na vida cultural e para apresentar a variedade e a vivacidade do “Rei dos Instrumentos”, continua a dar cursos de órgão e concertos comentados.
No evento participou também o Grupo Coral de S. Gonçalo, que é responsável pela animação litúrgico-musical, das celebrações das comunidades paroquiais de São Gonçalo e de São Veríssimo. Constituído por cerca de trinta pessoas, de idades e gerações bem diversas, procura exercer o seu ministério eclesial, como um tributo à glória de Deus e um serviço à assembleia litúrgica, provocando a sua participação mais activa, consciente e frutuosa, na celebração dos sagrados mistérios.
Rege e dirige actualmente o Grupo Coral, a Senhora Beatriz Costa, que é também executante na Banda Musical de Amarante. O órgão, que sustenta o canto litúrgico, é tocado por três organistas, que se revezam no serviço litúrgico.


