Abade de Jazente

Paulino António Cabral de Vasconcelos, mais conhecido por Abade de Jazente, por aí ter sido clérigo, nasceu em Amarante, a 6 de Maio de 1719 e faleceu na mesma cidade a 20 de novembro de 1789.

Foi um Poeta Português, advindo daqui a sua notoriedade. Apesar de clérigo, escreveu poesias onde cantou o amor epicurista e horaciano, marcado por traços de melancolia e tristeza pré-românticos. As suas obras foram publicadas em dois volumes: Poesias de Paulino Cabral de Vasconcelos, Abade de Jazente, vol. I (Porto, 1786) e Poesias de Paulino António Cabral, vol. II (Porto, 1787). Pertenceu à Arcádia Portuense, juntamente com Xavier de Matos, seu colega de Coimbra, cidade onde ambos estudaram.

Em 27 de abril de 1731, ainda menino, requereu Ordens Menores. Mais tarde, por volta de 1735, foi para Coimbra frequentar o curso de Cânones, tendo-se formado “nemine discrepante”, em 17 de junho de 1741. Em 1748, foi nomeado Coadjutor do então Abade de Jazente, Caetano de Azevedo Pereira, que estava doente. A abadia ficou vaga por morte deste, sendo posta a concurso em 10 de outubro de 1752. Paulino foi escolhido para abade da Igreja paroquial de Santa-Maria-de-Jazente, da comarca de Sobretâmega, por despacho de 26 de outubro de 1752, de Dom Frei José Maria da Fonseca de Évora O.F.M., que era então Bispo do Porto.

Em Jazente, foi proprietário rural e, de vez em quando, ia ao Porto, para fugir ao ambiente aldeão, frequentando o Paço Episcopal e gozando da amizade do Bispo.

Em 21 de janeiro de 1784, já bastante doente, passou a Abade resignatário e foi viver em Amarante, na então chamada “Rua da Portela” (atual Rua Doutor Miguel Pinto Martins),vivendo de uma renda muito diminuída (195 réis anuais), que lhe era paga pelo seu sucessor, em Jazente, o Abade José Luís de Queirós.

É personagem do romance histórico Um motim de há cem anos, de Arnaldo Gama.

“Brutos penhascos, rústicas montanhas,
Medonhos bosques, hórrida maleza,
Que me vedes, coberto de tristeza,
Saudoso habitador destas campanhas.

Para me suavizar mágoas tamanhas,
Alteremos um pouco a Natureza;
Civilize meu mal vossa dureza,
Barbarizai-me vós estas entranhas.

Meu pranto vos comova algum afecto
De branda compaixão;
pois da impiedade Encontra sempre em vós um duro objecto.(…)”
— Abade de Jazente – Soneto