Carlos Babo

Carlos Cândido dos Santos Babo nasceu em Figueiró, concelho de Amarante, a 4 de setembro de 1882. Filho de Eduardo Pinto dos Santos Teixeira e de Isabel Cândida Teixeira Babo, nascida no Rio de Janeiro, de pais naturais de Amarante, ambos proprietários e com rendimentos no Brasil.

Os Babo eram família vinda da Idade Média, de Herzegovina, que se fixaram em entre Douro e Minho. Eduardo Teixeira, um homem educado e culto.

Carlos Babo ingressou, em 1898, na Faculdade de Direito, em Coimbra, e concluiu em 1904 a sua formatura.

Em 6 de outubro aceitou o cargo de chefe de Gabinete no Ministério do Interior que acumulava com o da Instrução. Intervém na Repartição Pedagógica da Instrução Primária e foi Secretário Geral do Ministério da Instrução, inaugurado em 1913.
Escreveu muitas centenas de crónicas e artigos em Alma Nova, República, Pátria, Liberdade, Humanidade, Diário de Lisboa, Primeiro de janeiro, Montanha, O Clarim, Voz da Justiça, Figueirense, O Raio, etc., jornais que foram silenciados pelo salazarismo.

Um trabalhador infatigável vinha para a tarde, jantava e enfiava-se no escritório a escrever. Não ia a um cinema, a um teatro, um concerto. Um quarto interior com janela para o saguão, uma cama de ferro, uma cadeira, uma mesa de pinho e uma arca velha onde guardava os papéis. Trabalhava até altas horas.

Os homens da República, como Carlos Babo, foram certamente românticos e ingénuos mesmo. Mas resistiram contra a Monarquia Secular, proclamaram a República, edificaram as bases de uma nova nação que continuou e ainda hoje está em marcha.

A 8 de dezembro de 2007, os herdeiros de Carlos Babo doaram ao Município de Amarante o espólio do advogado/escritor, constituído por livros, manuscritos e correspondência vária trocada com figuras suas contemporâneas, como Teixeira de Pascoaes ou Raul Brandão.