Invasões Francesas

Entre 1807 e 1810 Portugal sofreu três invasões de tropas francesas, mas apenas uma vez conseguiram chegar a Lisboa. O país ficou sem monarca, que mudou a capital do reino para o Brasil, e todo o país ficou marcado pela morte, pilhagens e combates.

As invasões foram lideradas, respetivamente, pelo general Junot e pelos Marechais Soult e Massena.

Durante a segunda invasão os franceses, comandados pelo Marechal Soult, precisavam de encontrar pontos de passagem sobre o Rio Tâmega para assegurar as ligações com Espanha e avançaram do Porto em direção ao Marco de Canaveses e depois a Amarante.

Soult, inquieto com as notícias de que as tropas portuguesas e inglesas sob o comando de Beresford vinham ao seu encontro, envia uma coluna do seu exército para o vale do Tâmega, a fim de preparar a entrada de uma nova coluna do exército napoleónico em Portugal, desta vez pela fronteira setentrional.

A coluna, comandada por Loison, veio, por entre pilhagens, escaramuças e tentativas frustradas de atravessar o rio, instalar-se em Amarante, onde entra a 18 de abril de 1809, não sem antes ter saqueado e incendiado as povoações de Vila Meã, Manhufe e Pidre. Já na então villa d’ Amarante prosseguem com pilhagens e fogo posto, tendo ficado incólumes apenas algumas residências familiares, destinadas a quartel-general e a hospital de campanha.

Mais de duzentos anos depois, são ainda visíveis alguns vestígios destes factos, nomeadamente no Solar de Magalhães, nos negativos de projéteis na fachada da igreja de São Gonçalo, nas telas perfuradas por baionetas da sua sacristia e nas pirâmides danificadas da ponte de S. Gonçalo.

A ponte, marca de facto, um dos aspetos mais significativos e decisivos da resistência à II Invasão Francesa, a Campanha do Norte, pois na Ponte d’Amarante, a coluna de Loison não contava com o desgaste causado pelas forças Anglo-lusas, comandadas pelo Brigadeiro Silveira.

No seu contingente contavam-se muitos civis e clérigos que, embora mal armados e sem experiência, conseguiram, durante 14 dias, impedir a passagem do exército napoleónico, naquela que viria a ficar imortalizada como a “heroica defesa da ponte de Amarante”. O cerco à ponte viria a terminar na madrugada do dia 2 de maio, por volta das três horas, graças a uma manobra de diversão, em que as forças napoleónicas desviaram a atenção do exército português, estacionado na Eira do Paço, dando a entender que iriam tentar novamente a passagem do rio pelo vau de Morleiros.

Enquanto desviavam a atenção para montante, e aproveitando o nevoeiro cerrado, foram colocando, junto ao entrincheiramento português que impedia a passagem da ponte, barris de pólvora, que fizeram detonar, destruindo por completo a paliçada, lançando o pânico e a confusão dos defensores e causando ainda enormes baixas.

Aproveitando o caos gerado, Loison prosseguiu o seu caminho, até ser batido em retirada no Alto-Douro pelo Brigadeiro Silveira, que, entretanto, reorganiza as suas forças e põe termo às pretensões de Napoleão marchar, pelo Norte, até à cidade de Lisboa.

Ao Brigadeiro Silveira, que do seu posto de comando do Calvário, heroicamente dirigiu a defesa da ponte, foi atribuído o título de conde de Amarante e elevado ao cargo de General. A villa d’Amarante seria igualmente galardoada com a condecoração da Ordem da Torre e Espada que ainda hoje ostenta no seu brasão.