Igreja de São Gonçalo

A implantação da igreja do Convento de São Gonçalo, no local da ermida onde se julga estar sepultado São Gonçalo, impõe o carácter religioso à cidade, fundido na riqueza e diversidade de elementos arquitetónicos que testemunham as diversas etapas da sua construção, iniciada em 1540, por ordem de D. João III, atravessando vários reinados e colhido influências renascentistas, maneiristas, barrocas e oitocentistas.

A forma de cruz latina resume o traçado da igreja, partindo do nártex, encimado pelo coro, seguido do corpo da igreja e do transepto com o zimbório, culminando na capela-mor, de estilo barroco joanino.

A capela-mor é ladeada, ao nível do rés-do-chão, por duas capelas: do lado do Evangelho encontramos a estátua jacente de São Gonçalo e do lado da Epístola, a capela onde se encontra uma imagem em tamanho natural de São Gonçalo do séc. XX, da autoria de José Thedim, vestido com o hábito dominicano.

A base das colunas, que ladeiam o arco triunfal da capela-mor, resume a história do edifício, mantendo as inscrições da data de construção do convento e a proibição, ditada por Filipe I de Portugal, em 1595, de mais alguém ser sepultado na capela-mor por aqui se encontrar São Gonçalo.

A austera fachada exterior principal, de gosto filipino, contrasta com a imponência da lateral, voltada a sul sobre o Largo - com um portal/retábulo, constituído por um arranjo artístico distribuído por três andares, de estilos diferentes - valorizada, ainda, com a Varanda dos Reis (fundadores e beneméritos do convento).