Amadeo de Souza-Cardoso

Amadeo de Souza-Cardoso nasceu a 14 de novembro, em Manhufe, freguesia de Mancelos. Concluiu os estudos liceais em Coimbra, em 1905, tinha 18 anos, e a sua opção era seguir arquitetura na Escola de Belas Artes de Lisboa. 

As vivências, à época, na capital, haveriam de o desmotivar e Amadeo ruma a Paris acompanhado por um jovem pintor seu amigo, Francisco Smith, instalando-se em Montparnasse onde contacta com vários pintores portugueses aí radicados. Durante alguns meses frequenta no Boulevard Raspait os ateliers preparatórios para a frequência de arquitetura, mas, depois de um período de alguma incerteza, desinteressa-se pelo curso e passa a dedicar-se à caricatura.

Em 1909 Amadeo de Souza-Cardoso frequenta a Academia Viti, onde é aluno do pintor espanhol Anglada Camarasa. É um ano decisivo na vida de Amadeo, ano em que, segundo alguns críticos, nasce definitivamente para a pintura. É ainda em 1909 que conhece outro Amadeo, italiano de nascimento, que virá a ser seu grande amigo e pintor extraordinário: Amadeo Modigliani. Em 1910, passa três meses em Bruxelas, onde é seduzido pela pintura dos primitivos flamengos.

Os anos seguintes são, para Amadeo, tempos de intenso trabalho e de pesquisa permanente. Expõe no XXVII Salon des Indépendents e no seu atelier com Modigliani. Em 1913 expõe na primeira mostra de arte moderna dos EUA, que se realizou em Chicago e Boston, depois de no ano anterior ter publicado XX Dessins e desenhado e ilustrado o manuscrito de La Legend de Saint Julien L'Hospitalier e de estar presente no XXVIII Salon des Independents e no X Salon d'Automne.

Em 1914 Amadeo regressa a Portugal e casa, na cidade do Porto, com Lúcia Pecetto que havia conhecido em Paris seis anos antes. Em Manhufe, onde mora e tem o seu atelier, pinta todos os dias. Em 1916 expõe pela primeira vez no nosso país, no Salão de Festas do Jardim de Passos Manuel, no Porto, apresentando 114 obras com o título genérico de "Abstracionismo". A exposição constitui um escândalo para o Porto tradicional e burguês de então e Amadeo é mesmo agredido, necessitando de tratamento hospitalar.

No final daquele ano, Souza-Cardoso repete, nas Salas da Liga Naval, em Lisboa, a exposição da invicta, que se salda, igualmente, por um escândalo. Almada Negreiros, que entretanto conhecera o pintor, publica um folheto em que afirma que a exposição "é o documento conciso da Raça Portuguesa no séc. XX" e que Amadeo de Souza-Cardoso "é a primeira Descoberta de Portugal na Europa do séc. XX". Ainda em 1916 publica o álbum "12 Reproductions".

Sem que o seu trabalho tenha, à epoca, obtido compreensão bastante, Amadeo de Souza-Cardoso encontra-se inesperadamente com a morte em 1918, em Espinho, contaminado com a gripe espanhola.

Hoje, é uma referência incontornável da arte moderna. Amarante dedicou-lhe o seu museu municipal, onde o pintor está profusamente representado.