“Conversas de Igual para Igual” debate intimidade, afetos e violência na era digital
Iniciativa realiza-se a 23 de outubro, no Amarante Cine-Teatro, e reúne especialistas para refletir sobre os desafios e riscos associados à vida online.
O Município de Amarante promove, no próximo dia 23 de outubro, no Amarante Cine-Teatro, mais uma edição das “Conversas de Igual para Igual”, este ano dedicada ao tema “Intimidade, Afetos e Violência na Era Digital”.
A iniciativa propõe um dia de reflexão e debate sobre a forma como o mundo digital está a transformar as relações interpessoais, a vivência da intimidade e dos afetos e as diferentes formas de violência e discriminação que podem surgir ou ser amplificadas no espaço online.
Dinamizada pelo Município de Amarante desde 2015, a iniciativa “Conversas de Igual para Igual” tem procurado criar espaços de diálogo com a sociedade civil em torno de questões relacionadas com a discriminação, a inclusão, a saúde mental e o bem-estar, através de conferências, debates e outras iniciativas de intervenção e participação comunitária.
A edição deste ano coloca o foco nos desafios colocados pela crescente presença do digital no quotidiano, particularmente entre crianças e jovens, abordando temas como a partilha não consentida de conteúdos, a humilhação digital, a exposição de menores pelos adultos, os discursos de ódio, a misoginia e a cultura incel, bem como a relação entre estes fenómenos e a violência contra as mulheres.
O programa arranca às 09h30, com a sessão de abertura, seguindo-se, às 10h00, a conversa na primeira pessoa “Quando a intimidade fica online?”, que introduz a reflexão sobre a exposição da vida privada e das relações no ambiente digital.
Às 10h15, o primeiro painel, “Partilha não consentida e humilhação digital entre jovens”, contará com a participação de João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados, e Susana Batista, co-coordenadora da equipa portuguesa da rede multinacional EU Kids Online. O painel irá abordar as consequências da circulação de conteúdos íntimos sem consentimento e os impactos que estes fenómenos podem ter na vida dos jovens.
Segue-se, às 11h30, o painel “Crescer no online: quando os adultos expõem demais”, com Carla Costa, Coordenadora de Investigação Criminal da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária; André Lamas Leite, Advogado e Professor Associado da Faculdade de Direito da Universidade do Porto e Presidente do Conselho Pedagógico da FDUP; e Gonçalo de Oliveira, criador de conteúdos digitais e autor da página “Pai para toda a obra”. A moderação estará a cargo de Mariana Dorey, jornalista do Porto Canal e apresentadora do programa “Filhos & Cadilhos”.
Durante a tarde, às 14h30, a conversa na primeira pessoa “Porque é que o ódio se tornou conteúdo?” dará início a uma nova reflexão, seguindo-se, às 14h45, o painel “Algoritmos de ódio: Misoginia, cultura incel e violência contra as mulheres no mundo digital”.
O painel reúne Rita Basílio Simões, Professora Associada com Agregação em Ciências da Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigadora integrada do Centro de Estudos Sociais; Leonor Valente Monteiro, Advogada, Vice-presidente da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres e Coordenadora-geral da Associação Projeto Criar; e Daniel Cotrim, Psicólogo Clínico, Especialista em Violência Doméstica e de Género e Apoio a Vítimas. A moderação será assegurada por Catarina Marques Rodrigues, jornalista da RTP, fundadora do Gender Calling e autora do podcast “Dona de Casa”, da Antena 3.
A programação termina com o momento “Entre o real e o digital: o que levamos destas conversas?”, às 15h30, com Gonçalo Oliveira e Catarina Marques Rodrigues, sob moderação de Mariana Dorey, seguindo-se o encerramento, pelas 16h30.
Ao colocar em diálogo profissionais de diferentes áreas e experiências, a iniciativa pretende contribuir para uma maior consciência sobre os impactos da vida digital e para a construção de relações mais saudáveis, seguras, responsáveis e baseadas no respeito e na igualdade.
A reflexão assume particular relevância num contexto em que as fronteiras entre o espaço físico e o espaço digital são cada vez mais ténues, tornando essencial discutir não apenas os riscos associados ao online, mas também a responsabilidade individual e coletiva na construção de ambientes digitais mais seguros e inclusivos.
A iniciativa integra ainda o trabalho desenvolvido pelo Município de Amarante na promoção da saúde mental e do bem-estar, reforçando a importância do diálogo e da prevenção perante fenómenos que podem ter consequências significativas na vida pessoal, social e emocional.
A participação é gratuita, mediante inscrição através da BOL, aqui.